A cura da sogra de Pedro

Estando a sogra do Apóstolo s. Pedro doente, Jesus entra em sua casa e dela se aproxima. O médico misericordioso toma a iniciativa. Vai ao encontro da doente e a levanta, tomando-a pela mão. Ao toque de Jesus a febre se afasta.

S. Jerônimo exclama: “Que o Senhor toque também nossa mão, para que sejam purificadas nossas obras, que Ele entre em nossa casa, para que nos levantemos para servir”. De fato, o Evangelho narra que, ao entardecer, a sogra de Pedro, já curada, os servia.

Os Santos Padres, a partir deste milagre, exortam a comunidade cristã a estender a mão ao que está caído, levantá-lo, comunicando-lhe novo ânimo. Pois seu destino entre os homens depende do “fiat” dos seguidores do Senhor. Estender a mão é ir ao que está aflito e angustiado ou acorrentado às realidades materiais e comunicar a Boa-Nova do Evangelho, a fim de que possam, pelo sacramento da confissão, especialmente pela Eucaristia, receber “o fogo do amor divino na sua alma e no seu corpo”.

Todo aquele que se deixa tocar pelo amor de Jesus, manifestado em seus seguidores, embora caído, se erguerá e estará pronto a servir o pão da misericórdia e da bondade aos seus semelhantes. O amor e a liberdade, infinitos em Jesus, constituem a força necessária para a construção de um mundo fraterno, responsável e solidário.

Após a cura da sogra do Apóstolo, os vizinhos e habitantes da cidade “trouxeram a Jesus todos os que estavam enfermos e endemoninhados”. O que leva S. Maximo a exclamar: “Quanto mais eficaz aquele que cura, tanto mais importuno se torna o sofredor”. Porém, mesmo que os milagres não fossem sua meta principal, a misericórdia de Jesus é inesgotável: “Impondo as mãos sobre cada um, curava-os”. O objetivo de sua missão é a pregação da Palavra de Deus e o estabelecimento do Reino de Deus, tantas vezes, publicamente manifestado por Jesus.

Ao raiar do dia, como era seu costume, ele saiu e foi para um lugar solitário, pondo-se em oração. Jesus passa horas e noites inteiras em oração, em perfeita comunhão com o Pai celestial. Atitude, que se torna um forte apelo à conversão, pois a oração é a fonte mais íntima da vida humana.

Só se tem uma relação pessoal com o Deus vivo, caso haja uma prática constante de oração, alimentada pela certeza, que nos encoraja e nos revigora interiormente, de que o Senhor existe e nos ama. Não estamos sós, perdidos ou largados, diante do nada ou da incerteza. Na oração reconhecemos que existe um outro, o nosso Deus, ao qual nos achegamos e com o qual, unidos a Jesus, mantemos profunda intimidade.

S. Agostinho observa que a oração não é um ato humano que traz Deus a nós, pois “ele é mais íntimo a nós que nós a nós mesmos”. O objetivo da oração é avizinhar-nos dele e, pelo diálogo, tomar consciência da sua presença amorosa em nossa vida.

Então, como um sussurro, brota de nossos lábios a prece: “Senhor tudo está em Ti, eu mesmo estou em Ti, acolhe-me!”.


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