Igreja Católica Anglicana

 

IGREJA  ANGLICANA NO BRASIL

A primeira Igreja não Romana no Brasil foi a Anglicana (Church of England), por meio das capelanias inglesas que aqui foram oficializadas em 1810 sendo que a nossa comunidade da catedral em São Paulo foi registrada oficialmente em 1873.

 A fé anglicana foi trazida ao Brasil pelos ingleses em 1810 e os episcopais americanos se estabeleceram em 1890, expandindo a fé anglicana por todo o Brasil. Portanto, as capelanias inglesas têm 80 anos a mais de vida e seus patrimônios são intocáveis, segundo o tratado de 1810 e sempre respeitados nos demais acordos entre as capelanias espalhadas pelo Brasil e a IEAB. Em 1975 a Saint Paul's Anglican Church (atual Catedral Anglicana de São Paulo) se filia ESPIRITUALMENTE à Igreja Nacional, permanecendo com seu patrimônio pertencente à comunidade da Catedral. A Catedral Anglicana de São Paulo, novamente por meio da soberania constitucional de sua Assembleia Geral, ratifica, por unanimidade, que terá sempre prioritariamente um Bispo da Comunhão Anglicana como líder espiritual, como têm sido ao longo dos seus 140 anos de história. E numa nova Assembleia Geral e soberana, e novamente por unanimidade, confirma os Bispos anglicanos Dom Roger Douglas Bird e Dom Glauco Soares de Lima como seus líderes espirituais. A Catedral Anglicana de São Paulo continuará dando atendimento espiritual a toda comunidade de língua inglesa (Britânica e Internacional de São Paulo), bem como a todos os organismos oficiais Britânicos. E também, como estabelece seu estatuto, permanecerá levando o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo a todos os brasileiros que apreciam a forma inclusiva, didática, terapêutica e carinhosa de proclamar as Boas Novas do Reino de Deus. Aliás, é essa maneira Anglicana de ser, que possibilitou a esta Catedral ter a maior comunidade anglicana da América Latina, maior até que a grande maioria das Dioceses episcopais do Brasil.

Somos e seremos sempre anglicanos, respeitando e sendo respeitados pela maneira inclusiva da tradição de nossa Igreja-Mãe – the Church of England (a Igreja da Inglaterra) - da qual originamos e temos orgulho de pertencer.

 

HISTÓRIA DO ANGLICANISMO

 

O cristianismo chegou à Inglaterra no século II. Nesta época a Inglaterra era conhecida pelo seu antigo nome latino ÂNGLIA, daí vem o nome ANGLICANA. Não há documentos que comprovem, mas acredita-se que o cristianismo chegou às ilhas britânicas através dos soldados romanos convertidos ou mercadores que chegaram às ilhas. A história não deixou documentos que pudessem provar a veracidade dos fatos. Também há histórias não comprovadas de que os apóstolos Paulo e Filipe foram até às ilhas britânicas  e até mesmo José de Arimatéia visitou a Inglaterra. A primeira referência histórica sobre a existência de cristãos na Grã-Bretanha foi registrada por Tertuliano que, em 208, fala de regiões da ilha que haviam se convertido ao cristianismo. Pouco se sabe sobre esses cristãos durante o segundo século. O certo é que, em 314, três bispos ingleses participaram do Concílio de Arles, no sul da França. Esse fato mostra que já havia uma igreja organizada na grande ilha. No começo do século V, os romanos abandonaram a Grã-Bretanha, permitindo a invasão dos anglo-saxões, que destruíram as igrejas e reduziram a prática da fé cristã durante quase 150 anos. Em 597, o papa Gregório I enviou uma comitiva de 40 monges, chefiada por Agostinho, para converter os bretões. Agostinho foi o primeiro Arcebispo de Cantuária (Canterbury) e por isso, a sede espiritual dos anglicanos de todo o mundo está nesta cidade inglesa. A obra missionária iniciada por Agostinho foi consolidada por uma segunda missão romana liderada por Teodoro de Tarso. No final do século X, os dinamarqueses invadiram a Grã-Bretanha e destruíram quase tudo, deixando a impressão que Deus havia se ausentado do mundo. Em 1016, houve uma segunda invasão normanda, mas com a diferença de que o rei era cristão e por isso a igreja foi protegida. Cinco séculos depois, a igreja inglesa julgou necessário resistir à antiga intromissão papal, rompendo suas relações com Roma.

 

SINAIS DA REFORMA

 

O rei Henrique VIII não fundou um nova igreja, mas simplesmente separou a Igreja que já existia na Inglaterra da tutela e controle do poder papal por razões políticas, econômicas, religiosas e até pessoais. Muitos afirmam que foi o rei Henrique VIII quem fundou a Igreja Anglicana. Isto não é a verdade porque o rei não poderia fundar uma Igreja que já existia na Inglaterra a mais de 13 séculos. Ele apenas separou a Igreja da Inglaterra do poder papal retornando ao início do cristianismo nas ilhas britânicas onde a Igreja era independente. A anulação do casamento do rei com a rainha Catarina de Aragão que o papa Clemente VII não quis conceder foi apenas o estopim de uma separação que iria acontecer devido a muitos outros fatores políticos e religiosos. Lembramos que o papa Clemente VII não autorizou o divórcio do rei apenas por motivo religioso, mas porque estava sendo pressionado pela Espanha para negá-lo, pois Catarina de Aragão era espanhola e tia do rei Carlos V da Espanha. Durante quase mil anos a Igreja da Inglaterra esteve sob o domínio direto de Roma. Henrique VIII rompeu essa antiga filiação eclesiástica com o apoio do Parlamento. Separada e independente, a Igreja da Inglaterra continuou sua milenar caminhada na história. Foi na época do reinado da rainha Elizabete I, filha de Henrique VIII, que começou a colonização da América, onde a Igreja Anglicana se desenvolveu rapidamente e se organizou principalmente depois da independência americana em 1776. A igreja americana teve seu primeiro bispo em 1784 e manteve a igreja livre do poder civil. Assegurada a sucessão apostólica, a igreja americana se desenvolveu rapidamente, criando dioceses, paróquias e inúmeras instituições. Os primeiros anglicanos que vieram ao Brasil foram os ingleses, no reinado de Dom João VI, em 1810. Os anglicanos americanos, chamados de episcopais, vieram às terras brasileiras em meados do século XIX e aqui estabeleceram dioceses e paróquias.

 

                                                                   

                                                                                PRINCÍPIOS

 

A Igreja Anglicana defende e proclama a fé católica e apostólica nas Sagradas Escrituras. Em obediência aos ensinos de Jesus, as igrejas são comissionadas para proclamar as boas novas do Evangelho para toda a criação. A fé, a ordem e prática estão expressos no Livro de Oração Comum (LOC).

 

A DOUTRINA ANGLICANA ( QUADRILÁTERO DE LAMBETH )

 

1. BÍBLIA SAGRADA – Cremos que as Sagradas Escrituras contêm toda revelação necessária para que a humanidade alcance vida eterna (conf. 2º Timóteo 3.14-17). Toda nossa doutrina e liturgia sustentam-se na Bíblia Sagrada. A centralidade da nossa fé está unicamente na Bíblia e nada que não esteja nas Santas Escrituras faz parte da nossa doutrina e nenhum crente em Jesus Cristo deve crer em nada que não possa ser comprovado biblicamente. Toda autoridade eclesiástica na Igreja deve estar debaixo da autoridade suprema das Santas Escrituras. Enquanto em outras igrejas a autoridade está centrada no homem, na Igreja Anglicana a autoridade máxima está na Bíblia Sagrada. A Palavra de Deus é a verdade (conf. João 17.17).

 

2. CREDOS APOSTÓLICO E NICENO – Escritos nos primeiros séculos, constituem a confissão normativa da fé católica que preservamos ainda hoje, pois a Igreja Anglicana é católica enquanto preserva a tradição católica sadia dos primeiros séculos e é também reformada porque assimilou muitos pontos positivos da Reforma Protestante do século XVI, como uma vida de oração diretamente com Deus sem intermediários, a leitura solene e individual da Bíblia e a proclamação de Jesus como único mediador diante de Deus: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1º Timóteo 2.5). Aceitamos e proclamamos Jesus Cristo como único e suficiente Salvador da nossa vida: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” (Atos 4.12). Proclamamos a “comunhão dos santos”, ou seja, os santos e santas que já estão no céu, na celestial Jerusalém, continuam em oração e adoração a Deus na glória (conf. Apocalipse 7.9-10 e 8.3-4) e nós estamos em comunhão com estes salvos porque fomos lavados e salvos no mesmo sangue redentor, o sangue de Jesus (conf. Apocalipse 1.5). Porém, a oração destes santos (salvos) no céu bem como os santos (cristãos) na terra  não tem eficácia se tudo não for em nome de Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, Ele vo-la concederá em meu nome” (João 16.23). Jamais substituímos o poder mediador de Jesus, sumo sacerdote da aliança eterna que está no Santuário Eterno (céu) intercedendo pelos que creem no seu nome ante a face do Pai: “Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está a direita de Deus e também intercede por nós.” (Romanos 8.34). Isto não significa que desprezamos a oração dos santos (salvos) que estão no céu. Cremos que a oração destes irmãos é benéfica à Igreja que ainda peregrina sobre a terra rumo à Nova Canaã.

 

3. SACRAMENTOS – A Igreja Anglicana crê nos sacramentos. Professamos o SANTO BATISMO: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28.19) e a SANTA EUCARISTIA: “E tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós, fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós.” (Lucas 22.19-20) como legítimos sacramentos diretamente ordenados por Jesus Cristo e instrumentos da graça salvífica de Deus. O Santo Batismo é ministrado por imersão (mergulhar nas águas) e na Santa Eucaristia todos os fiéis participam do corpo e do sangue de Jesus. Há outros sacramentos menores, não ordenados por Jesus, mas reconhecidos pela Igreja como tendo caráter sacramental. São eles: a Confirmação, a Penitência, as Ordens Ministeriais, o Matrimônio e a Unção dos Enfermos.

 

4. EPISCOPADO HISTÓRICO – Professamos que a autoridade transmitida por Cristo aos apóstolos e esses aos seus sucessores (incluindo nossos bispos) é, ao mesmo tempo, garantia e expressão de que a Igreja Anglicana também é católica (universal) e apostólica. Temos respeito por todos os bispos cristãos e cremos que o Espírito Santo conduz a e mantém todas as dioceses no mundo, assegurando a sucessão apostólica nos mais diversos países e mantendo a comunhão das igrejas. Nosso Supremo Pastor é o Senhor Jesus e temos na pessoa do Arcebispo de Cantuária (Canterbury) na Inglaterra um ponto de comunhão espiritual que une todos os anglicanos no mundo.

Na Igreja Anglicana o ponto central de adoração é a Santa Eucaristia, que é chamada também de Santa Comunhão, Santa Ceia, Culto do Senhor, Ceia do Senhor ou Santa Missa. No oferecimento da oração e do louvor, são relembrados a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo por meio da proclamação da Palavra de Deus e da comunhão no Corpo e no Sangue do Senhor.

 

MANEIRA DE SER ANGLICANO

 

           O ecumenismo faz parte do modo de ser dos anglicanos. Nós oramos e trabalhamos para que as demais igrejas busquem a unidade em amor e obediência a Deus como um só corpo pela ação e poder do Espírito Santo. Os anglicanos acreditam que o trabalho da Igreja é pregar o Evangelho da reconciliação para o universo inteiro e não só para a parte que se considera cristã.

A Igreja Anglicana busca equilibrar a tradição católica dos primeiros séculos  com as influências benéficas da Reforma Protestante. Por isso ela é católica e também reformada. Católica não porque crê em dogmas  romanos, mas porque crê em Jesus Cristo como único Senhor e Salvador e reformada porque tem na Bíblia a autoridade máxima.  A liturgia preserva a mais antiga estrutura de culto cristão, com grande ênfase na proclamação da Palavra de Deus. Há um grande valor pela Liturgia, sendo que as crenças e doutrinas são definidas no próprio manual litúrgico (o Livro de Oração Comum).

Para glorificação de Deus, além do LOC, a Igreja também dá grande valor à arte sacra, ao altar, arquitetura dos templos e tudo que possa contribuir para expressar nossa fé em Deus: as flores do altar, as cores litúrgicas, incenso, música e a atmosfera de reverência diante de Deus. A Igreja dedica grande respeito aos seus Templos.

 

 

 OUTROS RITOS DE CARÁTER SACRAMENTAL

 

A) CONFIRMAÇÃO ou CRISMA: Ministrada pelo(a) bispo(a), representa a maioridade na fé e confere a todo confirmado a dignidade do ministério leigo e a plenitude dos dons do Espírito Santo. Para ser confirmada, a pessoa precisa ser batizada, ter aceitado Jesus Cristo de forma pessoal e consciente como seu Senhor e único e suficiente Salvador e receber instrução catequética apropriada.

 

B) MATRIMÔNIO: A Igreja Anglicana celebra o matrimônio de acordo com as leis do país e desde que um dos nubentes seja batizado. Não há exigência para a realização do matrimônio apenas dentro do templo. Os divorciados podem casar-se novamente, cumpridas as determinações canônicas da Igreja. Não cremos que um casal que vive santamente a fidelidade e o amor numa segunda união estabelecida segundo a lei esteja impossibilitado de participar da Santa Comunhão. Lembramos que na Santa Ceia em Jerusalém o Senhor Jesus deu o seu corpo e o seu sangue a Judas Iscariote (traidor), a Pedro (covarde que negou o Mestre) e a Tomé (incrédulo) e não ordenou que eles saíssem da mesa da comunhão. Na Santa Eucaristia o Senhor Jesus torna o ser humano uma nova criatura: “E, assim, se alguém está em Cristo, é uma nova criatura; e as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2º Coríntios 5.17). E nós estamos em Cristo quando estamos em comunhão com Ele. Um casal de segunda união está apenas buscando a felicidade e  Deus deseja a felicidade para os seus filhos.  A Igreja Anglicana, embora respeite a opção sexual das pessoas, não  celebra o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo.

 

C) UNÇÃO e BÊNÇÃO da Saúde: Ministrada pelo reverendo mediante a imposição das mãos a todos que se sentem abatidos física, mental ou espiritualmente. O reverendo, se julgar conveniente, pode administrar a benção com óleo consagrado pelo(a) bispo(a) (conf. Tiago 5.14).

 

D) PENITÊNCIA: Também conhecida como “Confissão e Absolvição”. Ministrada por um reverendo coletivamente (durante a Eucaristia) ou individualmente, assegura o perdão de Deus a todas as pessoas que se arrependerem dos seus pecados e desejam reiniciar uma nova vida: “Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados, se lhos retiverdes, são retidos” (João 20.23).

 

E) ORDENAÇÕES: A Igreja ordena ao sagrado ministério pessoas que tenham recebido elevada preparação teológica para corresponder à dignidade do ministério. As ordens de diácono, presbítero e bispo são cumulativas, vitalícias e abertas a homens e mulheres solteiros(as) ou casados(as). Lembramos que Jesus curou a sogra de Pedro (conf. Marcos 1.29-31) e, portanto, Pedro era casado.  Nossa Igreja não exige dos seus ministros o sacrifício do celibato, pois é opcional. A Igreja Anglicana ordena mulheres ao ministério porque na Igreja primitiva o ministério diaconal era exercido também por mulher: “Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo (diaconia) à igreja de Cencréia, para que a recebais no Senhor como convém aos santos e a ajudeis em tudo que de vós vier a precisar; porque tem sido protetora de muitos e de mim inclusive.” (Romanos 16.1).

 

SEXUALIDADE HUMANA

 

         A vida moderna em qualquer parte do mundo vem sofrendo profundas transformações nas últimas décadas, especialmente no campo da sexualidade humana. A Conferência de Lambeth em 1998, que reúne todos os bispos anglicanos a cada dez anos, recomendou que as igrejas anglicanas lutassem contra todas as forças e pressões que destroem a integridade do matrimônio e da vida familiar. Os bispos reunidos em Cantuária lembraram que as congregações locais têm uma grande responsabilidade na preservação da compreensão cristã do matrimônio e da vida familiar. A fidelidade no casamento entre um homem e uma mulher deve durar por toda a vida, embora a abstinência e o celibato sejam um direito daqueles que não se sentem chamados para o casamento.

Sabemos hoje que existem em nossa sociedade muitas pessoas que adotam um comportamento homossexual. Muitas delas são membros da Igreja e buscam uma orientação pastoral e moral da Igreja e o poder transformador de Deus para as suas vidas. Precisamos ouvir essas pessoas e lhes transmitir a certeza de que também são amadas por Deus. Todas as pessoas batizadas, fiéis e obedientes a Deus, não obstante suas orientações sexuais, são membros plenos do Corpo de Cristo, a Igreja. Podemos não concordar com a maneira de viver de uma pessoa, mas isso não significa que esta pessoa seja desprezada e excluída da Igreja, pois o único que conhece o coração do ser humano é Deus: “O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração.” (1º Samuel 16.7).

 

SÍMBOLOS

 

          Um dos símbolos mais conhecidos da Igreja Anglicana é a Rosa dos Ventos (Compass Rose), espalhada por todos os lugares onde existe uma Igreja Anglicana, demonstrando que o seu uso está se tornando cada vez mais universal. No centro, vemos a cruz de São Jorge, que lembra a origem dos anglicanos.

A inscrição em grego foi tirada de João 8.32 (a verdade vos libertará) e circunda a cruz e a bússola, lembrando a expansão do Cristianismo anglicano pelo mundo. A mitra que em cima do emblema nos lembra o papel do bispo e a ordem apostólica como elementos essenciais das igrejas que integram a grande família da Comunhão Anglicana. A Rosa dos Ventos é um símbolo largamente usado pelos anglicanos como sinal identificador da Comunhão Anglicana.

A cruz celta é um símbolo do início do cristianismo nas ilhas britânicas, e hoje, muito associada a fé anglicana. O Círculo em volta da cruz simboliza a universalidade de Cristo, que não tem início nem fim, conforme o livro de Apocalipse: “Eu Sou o Alfa  e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o último” (Apocalipse 22.13).

 

 

POSSO SER BATIZADO, CASAR, SER CRISMADO NA IGREJA ANGLICANA?

 

          Pode! Basta desejar e nós aceitamos e recebemos a todos no amor incondicional de Jesus Cristo.

 

SE JÁ SOU BATIZADO(A)  NOUTRA IGREJA CRISTÃ, DEVO SER BATIZADO(A) DE NOVO NA IGREJA ANGLICANA?

 

        Não! A Bíblia ensina: “Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Efésios 4.5). Quem já foi batizado na água e no Espírito Santo pertence plenamente à comunhão anglicana.

 

A QUESTÃO DAS IMAGENS NA IGREJA ANGLICANA

 

        Na nossa Igreja o fato de um fiel ter uma imagem ou um quadro de Jesus, de Maria, de um santo ou de um anjo apenas como recordação não constitui idolatria. Lembramos que o povo de Israel também teve as imagens dos querubins na tampa da Arca da Aliança (conf. Êxodo 25.18-22), a imagem da serpente de bronze no deserto quando o povo falou contra Deus e contra Moisés e o Senhor mandou serpentes abrasadoras que mataram muitos hebreus e pela súplica de Moisés, Deus ordenou a confecção desta imagem que era apenas uma recordação do poder de Jeová (Números 21.5-9), as duas imagens de querubins cobertas de ouro que o rei Salomão mandou fazer para o templo de Jerusalém, bem como os querubins bordados no véu e as imagens de bois e flores para o templo (conf. 2º Crônicas 3.10-14 e 4.3-5). Quando a imagem serve apenas para ornamentar e até mesmo despertar nos fiéis o desejo de seguir o exemplo de fé da pessoa retratada naquela pintura ou imagem, isto é salutar, porém, a imagem, seja ela de quem for,  não tem absolutamente nenhum poder sobrenatural. A imagem não cura, não salva, não liberta. A idolatria é depositar numa imagem uma confiança que somente em Deus devemos depositar. Por isso, o rei Davi diz em Salmos 114/115.4-7: “Prata e ouro são os ídolos deles, obra das mãos de homens. Têm boca e não falam; têm olhos e não veem; têm ouvidos não ouvem; têm nariz e não cheiram. Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta.”. Falar com uma imagem e fazer pedidos a ela é o mesmo que falar e fazer pedidos apenas a um objeto que não pode ajudar  em nada! Certamente melhor é falar com Alguém que pode ouvir, falar, sentir e fazer tudo a nosso favor: DEUS: “Certamente, vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento” (Êxodo 3.7). Fazer prostração diante de imagens, oferecer incenso, fazer procissões com elas, fazer oferendas e sacrifícios a elas também constitui idolatria. A imagem da serpente de bronze que Moisés fez no deserto foi destruída pelo rei Ezequias porque o povo começou a oferecer incenso e fazer pedidos àquela serpente de bronze: “e fez em pedaços a serpente de bronze que Moisés fizera, porque até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamavam Neustã” (2º Reis 18.4). Nós não veneramos as imagens, pois reverência também é uma maneira de adoração (prostração, inclinação etc), nós anglicanos respeitamos as imagens, pois elas nos

recordam o Senhor Jesus, a Santa Virgem Maria, os santos e os anjos. Lembram pessoas que nós amamos!

 

A VIRGEM MARIA NA IGREJA ANGLICANA

 

       Eis as palavras do anjo Gabriel e de Isabel, ditas a Maria no Evangelho de Lucas: “Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo” (Lucas 1.28) e: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre!” (Lucas 1.42). Maria é tida como a favorita entre os Santos, pois quem pode estar mais próximo de Cristo do que aquela que lhe deu a carne, que o carregou, o amamentou, o lavou, o alimentou, o vestiu, o ensinou e que finalmente o segurou morto em seus braços?. O próprio Evangelho deixa claro que devemos honrá-la. Quando Isabel diz: “ Por que me está sendo dada a honra de que venha a mim a mãe do meu Senhor?” (Lc 1.43). E quando Jesus na cruz entregou Maria para ser a mãe do apóstolo amado, a Igreja sempre entendeu que isso significava que Ele a estava entregando para ser a mãe de todos seus amados discípulos e mãe dos cristãos. Maria não é algum tipo de deusa. Ela foi considerada a mais humilde entre os humildes e que obedeceu à vontade de Deus, carregou Seu Filho neste mundo, participou de Seu sofrimento mais do que ninguém e, por isso, agora participa em sua glória no céu entre os salvos em Cristo. Nós amamos Maria porque entre todas as mulheres do povo de Israel, foi ela a escolhida para ser na terra a nova arca da aliança que carregou nove meses no seu ventre o Salvador da humanidade, o Emanuel. Cumpriu-se em Maria a antiga profecia de Isaías: “Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel” (Isaías 7.14). O respeito, o amor e a admiração que devemos ter por Santa Maria em momento algum deve ser pretexto para colocá-la no lugar que pertence unicamente ao Senhor Jesus, o nosso Senhor e Deus (conf. João 20.28). Somente Jesus tem poder para realizar milagres e expulsar demônios (conf. Marcos 16.17-18; Atos 3.16). Cremos que a Santa Virgem Maria está também na celestial Jerusalém diante do trono de Deus adorando a Trindade Santíssima e a sua oração é benéfica para a Igreja do seu Filho que ainda peregrina sobre a terra. É a comunhão dos santos. Celebramos as festas bíblicas de Santa Maria (a Anunciação do anjo, a Visitação a Isabel, as suas Dores na semana santa, o Natal, a Apresentação no Templo) e exaltamos as suas virtudes, porém, não celebramos nenhuma festa ou título de Maria que não esteja em conformidade com a Bíblia. A oração da Ave-Maria é uma oração bíblica, portanto, qualquer anglicano pode recitá-la com respeito e carinho pela Mãe de Jesus. Entretanto, não incentivamos a recitação desta ou de qualquer outra oração de maneira repetitiva e sem a devida consciência do que se está orando. Lembramos que a oração deve ser um alimento saboroso que deve nos alegrar e não desanimar. O título de Maria como “Mãe de Deus” ainda causa divisão entre as igrejas cristãs e debate caloroso entre os teólogos. Nós anglicanos preferimos chamá-la apenas de mãe de Jesus.  Um anglicano pode visitar  uma igreja ou santuário dedicado à Santa Virgem Maria como um filho que visita a casa de sua mãe. Porém, nós cremos que tudo isso em nada diminui a dignidade desta mulher extraordinária que aceitou a vontade do Senhor e permitiu que o seu ventre se tornasse a arca sagrada do Divino Salvador. Amamos a Santa Maria porque Deus a amou e a escolheu para ser a mãe de Jesus. Amamos Santa Maria porque nela estão todas as virtudes de todas as mulheres da antiga aliança como as matriarcas da fé: Sara, Rebeca e Raquel. E de todas as outras santas e piedosas mulheres judias. Amamos a Santa Virgem Maria simplesmente pelo maior e melhor motivo de todos: ela foi e é amada por JESUS!!!